Arquivo do Autor para Sirelli

24
Dez
09

Natal e ano novo

Me acostumei, durante alguns anos, a fazer uma espécie de retrospectiva do meu ano, com frases curtas e palavras soltas e, de alguma forma, transformar esse arranjo em minha mensagem de Natal e fim de ano. Nada de tão original, mas ajudava a perceber o que havia acontecido de importante na minha vida e que significados cada uma daquelas coisas poderia ter.

Sinceramente, não tive tempo de fazer nada parecido ou mesmo diferente neste ano. Aliás, meu ‘feliz Natal’ chega aos 45 do segundo tempo.

Mas mesmo sem organizar muito as idéias, é impossível não lembrar o quanto especial 2009 foi. Afinal, Helena chegou. E se não bastasse esse enorme presente de papai Noel antecipado, novos horizontes profissionais foram abertos e experimentei novas linguagens, desentalei da garganta a regata Santos-Rio (três dias inesquecíveis e com direito a pódio) e, pra completar, o Flamengo levou o brasileirão.

Não sei se ainda poderia pedir mais alguma coisa. Talvez um pouco mais de tempo para Helena, família, amigos e o mar, talvez um pouco mais de grana, que não faz mal a ninguém.

E com todas as coisas boas que passaram em 2009, não deu nem pra reparar muito nas merdas do apedeuta, nos mensalões e outras corrupções, no apagão, Eduardo Paes, Sérgio Cabral, metrô horroroso, Dilma, Net, violências, Uniban e todos os etceteras possíveis e imagináveis, que até seriam capazes de estragar o ano de muita gente. O meu não conseguiram.

E espero que o de vocês também não.

Então, o que desejo a todos é que o Natal de vocês seja em paz e que 2010 seja muito, muito melhor do que 2009, com mais alegrias que tristezas, mais realizações que tropeços, mais sorrisos que resmungos, mais grana que dívidas, mais saúde que dores e espirros, mais amigos e brindes que aporrinhações.

Beijos e abraços a quem de direito.

21
Dez
09

Crônica de uma morte anunciada

Gosto de bons textos. E contrariando todas as regras da etiqueta internética, não me importo com o tamanho ou a objetividade (ou falta dela). Para mim, vale o prazer que um texto pode proporcionar, sua construção, argumentos, ironias (finas ou não) etc.

O texto abaixo foi escrito antes do fiasco universal da COP 15, do não-resultado da reunião dos que mandam no mundo, realizada em Copenhage (Dinamarca), sobre os problemas climáticos desse nosso mundo de meu Deus.

Além de absolutamente previsível, a vergonha por não terem feito nada que preste foi tão grande que não houve, sequer, a foto oficial (comum a todos os grandes encontros mundiais) com os chefes de estado ou governo dos países representados.

Enfim, o texto abaixo mostra porque o fracasso do encontro era tão previsível.

Efeito estufa na minha cabeça

Sinceramente, minha paciência com essas discussões climáticas estão se esvaindo quase tão rapidamente quanto a calota polar ártica. A diferença é que em vez de um processo de derretimento, a minha complacência em ser mero assistente deste embate está sendo violentada todo dia.

Não é possível que subestimem tanto o poder de racionalizar de, pelo menos, metade da humanidade, em fazer crer que vai sair algum acordo factível, sem divergências e sem faltas de assinaturas, ao juntar numa mesma mesa, China, Estados Unidos e países africanos por exemplo, e estabelecer regras plausíveis.

Não são as fronteiras políticas que encerram o emporcalhamento do planeta.

Mais ou menos assim: a Europa foi totalmente desmatada já há uns duzentos anos, ou até mais, em países como Reino Unido e França. Burkina Faso continua sendo só floresta (e pretende deixar de sê-lo, para se “desenvolver”).

Os Estados Unidos emitem mais efluentes de combustíveis derivados de petróleo sozinhos do que as outra nove maiores economias do mundo. É toda uma economia, por sinal a mais forte, firmemente baseada em automóveis, gasolina, óleo diesel, caminhões e termoelétricas. No Brasil, em que pese nossos combustíveis serem muito ruins sob o ponto de vista ambiental (enxofre, benzeno e outras quinquilharias carcinogênicas e que promovem a dança da chuva ácida, por exemplo), usamos mais biocombustível (etanol) do que gasolina.

A China que só tem 1,3 bilhão de pessoas saltando da idade média para o século XXI em apenas vinte anos, precisa de energia. Vai usar, claro, a mais emporcalhante forma de energia conhecida, o carvão, que não só tem malefícios dos combustíveis de petróleo, como é campeão de emissão de particulados esquisitos (particulado é aquele negócio que você respira, se aloja num lugar de seu corpo, que não o absorve e dali vira um tumor ou um enfisema). Em contraponto, a Noruega, que já colocou sua meia dúzia de habitantes no século XXI e vendeu seu petróleo quase todo, agora só quer saber de “fontes de energia limpa”.

Convenhamos, dá para convergir para algum ponto?

E de mais a mais, volta e meia surge um estudo bombástico dando conta que arrotos e peidos de vaca e ovelha no mundo todo emanam mais gases que a frota de veículos alemã. Que a Rússia, apesar de um vasto parque de usinas nucleares construídas com tecnologia que vem sendo desenvolvida desde o império romano (são usinas-ruínas), também usa carvão à vera, dado que fica difícil convencer um cidadão casaque ou siberiano a não se aquecer nesse inverno, quando o carvão está ali, no quintal de casa.

Outra coisa interessante. Nunca vi ninguém mais criticado que Thomas Malthus, economista que previu que a população cresceria geometricamente e os meios de produção aritmeticamente… “Ho, ho, ho, tolo Thomas, esqueceste da tecnologia que aumenta a escala e a eficiência”… O tolo Thomas só deve ter pensado num contexto mais amplo. De fato, maquinário agrícola e fertilizantes aumentam a produtividade, fazendo com que mais alimentos sejam produzidos em áreas menores. Só que o maquinário consumiu recursos em outro lugar e o fertilizante, seja de fósforo, potássio ou nitrogênio, ou dos três, emporcalhou um outro lugar longe da plantação. Tenho a leve lembrança de uma fábrica de fertilizantes em Bhopal, na Índia, que teve um probleminha de troca de turno e contaminou uns 3000 elencos de novela de Gloria Peres, que morreram mal, cegos, com peles queimadas.

Enfim, Malthus, esse maluco primata, previu o que está na cara. A Terra comporta com algum conforto uns 3 bilhões de seres humanos. Somos seis bilhões.

Um acordo interessante para Copenhague seria nomear o Hitler, o Stalin e o Genghis Khan da vez e fazê-los trabalhar coordenadamente para eliminar (sem preferências estilísticas, raciais ou comportamentais, ok, herr Hitler?), metade da humanidade. Fazendo sumir rapidamente 3 bilhões de pessoas do planeta, o consumo de tudo cairá bastante, então teremos menos carros na rua, menos carvão queimado, menos batata frita sendo consumida, menos coxinhas de galinha necessárias, enfim, tudo se ajustaria naturalmente. Adeus efeito estufa.

Mas por ser pouco razoável, que mesmo esse incrível trio trabalhando em conjunto, tenha alguma aprovação que dure, digamos, até o segundo genocídio promovido sob o nome pomposo de “redução de consumo natural por sequestro de consumidores”, talvez seja mais prudente partir para outra solução.

E então entram em cena as soluções bodosas. Com metas de redução de emissão de gases e sequestros de carbono.

Vamos por partes. Metas de redução de emissão de gases (hmmm…), ou seja, meu país chega a Copenhague com um estudo feito durante dez anos por pesquisadores multidisciplinares e apresenta: vou reduzir a emissão dos gases do efeito-estufa em 28,333% em 96 meses, a começar em 2015. Tal redução será obtida com veículos híbridos (tecnologia a desenvolver), uso de biocombustíveis (efeitos maléficos ambientais em estudos) e sequestro maciço de carbono. E aqui, vamos a uma pausa.

O que raios quer dizer exatamente “sequestro de carbono”? “Sequestro” eu sei o que é. Pega-se um desavisado da família Getty ou politicamente proeminente, enclausura-se o cidadão, apresentam-se pedaços de seu corpo para provar que está sendo morto aos pouquinhos, exige-se um resgate ou contra-partida e, se os sequestradores forem caras legais, devolvem o sequestrado, talvez sem uma orelha. Ministros brasileiros atuais usaram bastante esta tática na ditadura militar e como bons sequestradores, devolveram, sem muitos desmanches, os diplomatas sequestrados.

Agora, voltemos ao tal “sequestro de carbono”. Florestões seriam responsáveis por retirar o excesso de dióxido e monóxido de carbono. Até aí não vejo configurado o delito penal “sequestro”. E depois? Do claustro da fotossíntese ao que os carbonos sofrerão, terão que confessar que formaram compostos mais limpinhos e serão devolvidos à livre circulação atmosférica, sob condicional. Só pode ser isso. Senão o termo técnico não seria sequestro e sim absorção de carbono.

Tudo me confunde, esquenta minhas sinapses e aumenta o efeito estufa particular. Se dessa COP-15, que já teve a presidente renunciando, o Obama informando que não vai, o Lula lançando um factóide aparentemente genial, mas, que por ser impossível de ser cumprido, é só corajoso mesmo, e pancadarias de Ultimate Fight nas ruas da plácida Copenhague, sair algo que seja minimamente conclusivo será uma baita surpresa.

Nesse meio tempo, sinto falta de mais presença do Al Gore, do Greenpeace, dos japoneses. Será que estão com um comportamento low profile proposital, já prevendo que o COP-15 corre o risco de um fiasco?

Borbulham meus neurônios. Não vejo solução a não ser a tríplice entente Hitler-Stalin-Genghis Khan. Seis bilhões é gente prá chuchu e para qualquer outro hortifrutigranjeiro, incluindo a mandioca.

Será que o documento final de COP-15 definirá regras de crescimento populacional? Como diz um amigo meu, ambientalista das antigas, talvez o resto da conversa seja “merda de boi” – bullshit, expressão em inglês para blá-blá-blá.

A propósito, o cocô das vacas poluiu mais que os gases emanados por motocicletas da Indochina em 2008/2009.

Luiz Octavio BernardesWith a little help from my friends

17
Dez
09

Traços e um bom pretexto (5)

E enquanto procurava as charges para o post anterior, encontrei o Lute (também já está entre os links aí ao lado) e a série abaixo, sobre o encontro de Copenhage em que os líderes mundiais fingem pretender salvar o planeta.

17
Dez
09

Traços e um bom pretexto (4)

Com a reta final do Brasileirão esquentando, o Flamengo na briga e a conquista do Hexa, o blog passou as últimas semanas quase monocórdico.

Como não acho que conseguiria colocar as coisas em dia sem deixar vários e vários furos, resolvi procurar por charges e cartuns que pudessem resumir o que aconteceu de importante nos últimos dias.

Procura aqui, futuca ali, dei de cara com o Amorim (devidamente incluído na lista de links aí ao lado).

12
Dez
09

Fim de papo

Já faz uma semana que acabou a bagaça e que o Flamengo conquistou o hexa. A ressaca está quase curada…

O campeonato foi, sem dúvida, o melhor dos últimos muitos anos. De toda a série de pontos corridos, certamente. Infelizmente, o equilíbrio que fez um campeão com menor aproveitamento da história e com a menor diferença de pontos para a turma que foi rebaixada. Isso é bom? Em tese.

A verdade é que, a cada ano, o nível técnico de nossos times é cada vez menor. Ou não teríamos um gordo, um farrista e um coroa de 37 anos entre os melhores do Brasil.

Apesar de muito inchado, nosso calendário está estabilizado já há algum tempo, o que deveria facilitar o planejamento dos clubes – equacionando dívidas, fortalecendo as divisões de base etc. – e a atração de novos investidores. Mas parece que nossos dirigentes não estão muito aí pra isso, o que não é de causar surpresa.

Independente disso, e apesar do que meu primo atleticano, recalcado e invejoso, disse, a conquista rubro-negra não foi uma cagada. Afinal, o Flamengo foi o que teve o melhor aproveitamento nos confrontos diretos entre os oito primeiros do campeonato. Assim como é fato que, principalmente, Palmeiras e São Paulo fizeram muita força para perder o campeonato. E perderam.

Pra encerrar minha participação no Brasileirão 2009, resolvi dar uns pitacos – o post ficou comprido demais, eu sei –  sobre todos os clubes que participaram dessa edição e sobre os quatro que vão subir. Apenas pequenas opiniões sobre alguns detalhes.

Série B

- Vasco: fez o que tinha que fazer, mas o time precisa melhorar muito para não correr risco de voltar;

- Guarani: quase foi grande um dia, até que virou io-iô. Será um dos enigmas de 2010;

- Ceará: se não voltar para a segundona, correrá riscos até o fim. É a sina dos clubes nordestinos, sem poder econômico para formar um grande time;

- Atlético-GO: absolutamente imprevisível. Time de empresários, como o Barueri. Pode surpreender e pode não fazer nem cócegas.

Série A

20º: Sport (31pts / 7V / 10E / 21D / 27%)
Se foi rebaixado na última posição, não se pode falar em injustiça. O time é horroroso e, para completar, sua queda é uma benção para todos os clubes, pois não precisarão jogar naquela campo de roça da Ilha do Retiro.
Como a campanha do clube foi um fiasco, seu presidente resolveu tapar o sol com a peneira e tirar o foco das mazelas do clube tentando criar um onda sobre o título do Flamengo. Disse que processaria todos que apontassem que o Flamengo é hexacampeão.
A discussão foi provocada pelo presidente do clube pernambucano só serve pra criar mais confusão, acirrar ânimos etc., em função de algo que não tem qualquer justifica lógica: o Sport ter sido proclamado campeão brasileiro de 1987 quando não foi, sequer, campeão da segunda-divisão. A história completa do que aconteceu está aqui.
19º: Náutico (38pts / 10V / 8E / 20D / 33%)
Não há o que dizer sobre Timbu, além de destacar o Carlinhos Bala (que não acredito ser capaz de ser destaque em um time grande de verdade) e o alívio de todos os clubes por não ter que jogar no gramado ridículo dos Aflitos, mesmo caso do Sport. Não por acaso, junto com o eterno rival, levaram Pernambuco embora da primeira divisão.
18º: Santo André (41pts / 11V / 8E / 19D / 35%)
A única coisa relevante em sua história é a conquista da Copa do Brasil sobre o Flamengo. Apesar do vexame rubro-negro, não é estranho nas copas nacionais que juntam times de todas as divisões, a conquista por clubes nanicos. Não se tornam relevantes por isso e esse é o caso. Deus sabe como chegou à Série A, mas o importante é que já foi embora.
17º: Coritiba (45pts / 12V / 9E / 17D / 39%)
Um exemplo clássico de um time pequeno que se acha grande. Talvez seja grande no Paraná, estado que – verdade seja dita – não tem qualquer relevância para o futebol nacional. Se acha grande porque ganhou um brasileiro no longínquo 1985, algo tão estranho quanto ter o Bangu como adversário na final. Foi tão insólito que o Maracanã ficou absolutamente lotado por torcedores de todos os clubes do Rio, em prol de um clube que tinha, sim, um grande time bancado por um bicheiro. Enfim, como último ato de sua participação no certame de 2009, sua torcida fez o favor de confirmar o quanto o clube, o time e ela própria são pequenos.
P.S.: Alguém reparou a grande escolha que fez o Marcelinho Paraíba, trocando o Flamengo pelo Coxa?
16º: Fluminense (46pts / 11V / 13E / 14D / 40%)
É verdade que, com a épica arrancada, não merecia mesmo cair. Mas é bom não esquecer a dívida que o Fluminense tem com o futebol brasileiro, pois disputou a terceira divisão e, com a criação da Taça João Havelange, pulou direto para a primeira. Também é fácil compreender a comemoração, mas é bom colocar o pé no chão e entender que, se muita coisa não mudar, o ano que vem será igual ou pior.
15º: Botafogo (47pts / 11V / 14E / 13D / 41%)
Depois de voltar à primeira divisão, vinha evoluindo, mas… Só não dá pra entender porque estão comemorando tanto. É bom que abram bem os olhos, não ganharam nada. Só não caíram de novo. Para o futuro, a receita é a mesma do Fluminense: mudar muita coisa, se organizar, planejar etc.
14º: Atlético Paranaense (48pts / 13V / 9E / 16D / 42%)
Não fede nem cheira. Chamado de furacão, na verdade não passa de uma brisa. Mesmo assim, só quando joga em casa. Como seu rival alvi-verde, só é grande localmente. Também já ganhou um brasileiro (a história da humanidade tem mesmo mistérios insondáveis), mas o conjunto da obra não é nada relevante na história. Como sua campanha em 2009. Pelo menos, não caiu.

13º: Vitória (48pts / 13V / 9E / 16D / 42%)
Apesar de muita gente achar que aquele canto do mundo é uma dimensão paralela, a Bahia é um estado do nordeste. Quando lembramos onde está seu arqui-rival, então, só o fato de estar na série A já é uma vitória (com trocadilho). Seu único mérito no campeonato foi ter o saldo de gols melhor que o Atlético Paranaense: -6 a -7. Graças a isso, se classificou para Copa Sulamericana.
12º: Santos (49pts / 12V / 13E / 13D / 42%)
Quando falo que os paulistas, em geral, são um povo bem estranho, meus amigos que moram do lado de lá da Dutra reclamam. Mas que outro povo seria capaz de chamar seu clube de Peixe e adotar uma baleia como mascote. Será que eles faltaram a aula de biologia no primário? Enfim, esse enorme nariz de cera reflete bem o que foi o Santos nesse campeonato: quase nada a declarar. A campanha medíocre serviu para duas coisas: se livraram do presidente (apesar do tumulto euriquiano nas eleições) e de Wanderley Luxemburgo.
11º Barueri (49pts / 12V / 13E / 13D / 42%)
Baruequem??? Pois é, uma distorção provocada pelo poder da grana que ergue e destrói coisas belas, como diria um baiano. O time do interior de São Paulo, criado por empresários apenas para dar lucro, até que fez campanha razoável. E só. Ficou à frente do Santos graças ao saldo de gols. Foi o clube com a menor média de público do campeonato e, no primeiro turno, o “clássico” contra o Santo André, em Santo André, foi assistido por 847 testemunhas.
10º Corinthians (52pts / 14V / 10E / 14D / 45%)
2009 foi o ano da volta, depois da passagem pela segundona. A base do time campeão da Série B foi mantida e chegaram alguns reforços, o gordo entre eles. Ganharam o paulistinha e a Copa do Brasil. Aí, com a vaga para a Libertadores garantida e a saída de alguns jogadores no meio do ano, não houve Mano Menezes que conseguisse reorganizar o escrete e, pior, manter os jogadores interessados em um campeonato que não conseguiriam conquistar. Resumindo: passou pelo Brasileirão a passeio.
9º Goiás (55pts / 15V / 10E / 13D / 48%)
Um dos cavalos paraguaios de 2009. Com uma base razoável, fez algumas contratações interessantes, como Fernandão, e até pareceu que cumpriria a eterna promessa de ficar entre os grandes. Alguns excelentes resultados e, de repente, lá estava o time do cerrado no G4. Não durou muito. Fraquejou pelo meio do segundo turno e abandonou a disputa pelos primeiros lugares. No final, acabou como fiel da balança. Empatou com o Flamengo no Maracanã e parecia ter sepultado o sonho do hexa. Na semana seguinte, quando ninguém esperava, sapecou 4 a 2 no então líder São Paulo, deixando a disputa do título praticamente limitada a Flamengo e Inter.
8º Grêmio (55pts / 15V / 10E / 13D / 48%)
Um time de extremos. Terminou o Brasileirão invicto em casa, mas só ganhou um jogo como visitante. Por fim, classificado para a sulamericana, uma copinha que todo mundo comemora quando faz campanha pífia no brasileiro, mas que todo mundo reclama na hora de jogar. Acabou chamando a atenção pela confusão ‘entrega X não entrega’ o jogo contra o Flamengo, na última rodada. Tudo isso porque o rival colorado precisava de, ao menos, um empate no Maracanã para que superasse o time da Gávea. A torcida do Grêmio, então, começou a campanha do entrega. No final, nada demais aconteceu. Apesar de um mistão, os gaúchos deram um belo susto do Flamengo, fazendo um a zero. Mas não aguentaram a pressão e todo mundo sabe o que aconteceu.
7º Atlético Mineiro (56pts / 16V / 8E / 14D / 49%)
O pai de todos os cavalos paraguaios. Depois da glória de conquistar o primeiro brasileiro em 1971, tudo o que o Galo conseguiu foram três vices. Neste ano, prometeu, prometeu, prometeu… Liderou o certame e fez até um dos seus artilheiros, mas – como de hábito – não conseguiu nada. Nem a vaga na Libertadores.
6º Avaí (57pts / 15V / 12E / 11D / 50%)
Tai uma surpresa agradável. Deus sabe se continuará assim em 2010, mas muita gente duvidava que o time catarinense faria algo além de brigar para não cair. No final, uma campanha mais do que digna sob o comando de Silas, que se mandou para o Grêmio. Os destaques do time, além do técnico, são curiosos: o atacante Muriqui foi quem mais apanhou durante o ano, enquanto seu companheiro Ferdinando, volante, foi o segundo que mais bateu.
5º Palmeiras (62pts / 17V / 11E / 10D / 54%)
O grande campeão do Grande Prêmio de Assunção. Liderou metade do campeonato, teve cinco pontos de vantagem por várias rodadas, disputou o título até o último jogo e, no final, nem se classificou para a Libertadores. Parabéns ao presidente Beluzzo por suas declarações fabulosas, parabéns ao Muricy pela autosuficiência transbordante, parabéns ao time que não agüentou a pressão. Resumindo, um puro-sangue paraguaio.
4º Cruzeiro (62pts / 18V / 8E / 12D / 54%)
Um daqueles clubes que sempre começam o campeonato dando pinta de favorito. Claro, segundo todos os especialistas de jornais, rádios e tevês. O time realmente não é ruim (para o nosso nível, claro) mas oscilou muito durante o ano. E até craque freqüentando festa de torcida organizada de adversário aconteceu. Apesar de uma miniarrancada nos últimos jogos, chegou à última rodada dependendo de combinação de resultados para chegar à (pré)libertadores. E o porco paraguaio entregou a vaga de mão beijada.
3º São Paulo (65pts / 18V / 11E / 9D / 57%)
Deitou sobre a fama de time eficiente, que mesmo jogando mal, faz ao menos um gol e não leva nenhum. Enfim, um modo medíocre de pensar o futebol. Entre os times da ponta, foi o que menos ganhou pontos dos outros líderes enquanto perdia poucos pontos para os pequenos. O problema é que neste ano, com o campeonato nivelado (por baixo), não foi tão efetivo mesmo contra os pequenos. Além disso, um elenco extremamente limitado, com atletas (paulista adora chamar jogador de futebol de atleta) que jogam como robôs. Como Ricardo Gomes não é tão bom quanto Muricy, o time não teve força para chegar ao título que esteve em suas mãos. Só valeu porque se classificou para sua trocentésima Libertadores consecutiva.
2º Internacional (65pts / 19V / 8E / 11D / 57%)
Já há algum tempo é apontado como um dos favoritos todos os anos. Mas como é que um time que, hoje em dia, pode ser descrito como a versão gaúcha da fusão entre Vasco e Botafogo pode ser campeão? E ainda por cima com Mario Sérgio Pontes de Paiva como técnico.
Comparei a Vasco e Botafogo porque, com o resultado deste ano, o Inter conseguiu a expressiva marca de ser penta-vice. Além disso, desde que o inter perdeu o título para o Corinthians, no campeonato da máfia do apito, só faz chorar. Neste ano, seu vice de futebol chegou a divulgar um DVD com os pseudo-erros cometidos por árbitros contra o time do sul. Isso, às vésperas da final da Copa do Brasil. Resultado? Vice.
1º Flamengo (67pts / 19V / 10E / 9D / 58%)
No meio do campeonato estava na 14ª posição e ameaçava passar o ano fugindo do rebaixamento. Além disso, um monte de confusões dentro do clube, em ano eleitoral, só fazia atrapalhar. Pra completar, Cuca e sua estranha relação com os jogadores.
Aí Kleber Leite deu o fora, Cuca caiu, Andrade foi efetivado e começou a recuperação de vários molambos do time, chegaram Pet, Maldonado e Álvaro. O time encaixou e, como quem estava na ponta não demonstrava querer o título, parecendo até que não queriam ser campeões, o Flamengo foi chegando, foi chegando… O resto vocês já sabem.
Agora é rezar que não seja feito um desmanche, que cheguem três ou quatro reforços de verdade e que a nova presidente Patrícia Amorim consiga dar um jeito no Flamengo. Porque se tudo for feito como deve, no futebol, nos esportes olímpicos e no resto do clube, poderemos nos preparar para comemorar durante muitos e muitos anos, começando pela participação na próxima Libertadores.
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Depois desse quase testamento, poderia prometer ficar um bom tempo sem falar de futebol por aqui. Mas como o risco de não cumprir é enorme, é melhor ficar quieto. Afinal, a programação inicial é estar no Maracanã, na festa de fim de ano do Zico, em que será formado um time com jogadores que participaram dos seis títulos do Flamengo. Sinceramente, é bem provável que não resista a fazer algum comentário depois disso. A ver.



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