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Comoção, Elis Regina, Entrevista, Gonzaguinha, Morte, Parâmetro, Redescobrir, Saudade do Brasil, Trem Azul, TV Gaúcha
Em janeiro de 1982 eu tinha pouco mais de oito anos. Como as crianças daquela época, é provável que ainda brincasse de roda. Também soltava pipa, jogava bola e bolinha de gude. E há 30 anos, estávamos na estrada – toda a família – voltando das férias na roça, casa dos meus avós maternos na zona da mata de Minas.
Lá, como no Rio e em todo o Brasil, ouvia-se com gosto pelos rádios, TVs e nas vitrolas, os discos de Elis. Cada um melhor que o outro.
Àquela altura, já havíamos acabado de descer a serra de Teresópolis, o rádio do fusca já pegava alguma coisa, entre chiados e suas ondas curtas. E a notícia chegou. Ficou aquele ar de espanto em todo mundo, enquanto meu pai dirigia e pedia silêncio, minha mãe tentava sintonizar uma rádio mais firme pra confirmar o que veio entre grunhidos.
Ao mesmo tempo, começamos a ver vários e vários carros encostando no acostamento, as pessoas paradas com caras de bobos, alguns chorando e todos querendo acreditar que aquilo era um trote. Há 30 anos, Elis morreu.
É claro que, pela idade, só fui conhecer e entender quem e o que era Elis muito tempo depois. E assim, não foi tão difícil perceber a razão da comoção que tomou conta do país quando a moça foi embora. Mas, desde sempre, sou apaixonado por essa canção, composta por Gonzaguinha e gravada em 1980, no álbum duplo Saudade do Brasil.
Abaixo, trechos de uma entrevista de Elis à TV Gaúcha, quando foi a Porto Alegre com o show Trem Azul, no segundo semestre de 1981. Era tão boa falando quanto cantando.
P.S.: será que é por acaso que, até hoje, Elis é o parâmetro de qualidade a que todas as cantoras brasileiras acabam comparadas, cedo ou tarde e indepente de estilo?
E vão ser comparadas pra sempre. Já me conformei que igual à Elis, não vai haver mais.
Abraços,