O jogo

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Como não sou sócio do clube, não adianta nada ficar dando pitaco na mais que rasa política rubro-negra. Em ano de eleição, o pau está comendo solto. Crises reais e plantadas e o diabo, tudo o que estamos acompanhando pelos jornais de folhas ou não.

Se dependesse de mim, do dentuço ao vice de futebol, além da equipe de maquetchim completa, colocava todo mundo na rua, a despeito de multas e quaisquer outros problemas. Mas, se sócio não sou, que dirá presidente… E como não tenho que arcar com multas, dívidas e outras conseqüências, é fácil falar.

De qualquer maneira, se alguém quiser ler o que um torcedor relativamente racional pensa sobre tudo isso, basta clicar aqui.

Então, vamos ao que importa. Lembro muito bem da entrevista que o profexô deu em 2010, dizendo que o plano para o ano seguinte era conquistar o hepta brasileiro. Declarações com clima de promessa. Que foi mudando conforme o time começou a desandar no meio da disputa. Confiando na falta de memória crônica do brasileiro em geral, inclusive e principalmente torcedores, começou o discurso que o projeto mirava a Libertadores.

Assim, o Flamengo entra em campo, logo mais, para jogar a penúltima partida de 2011. A última será na próxima semana. As duas, contra o horroroso Real Potosí – que só faz farofa graças aos 4.000m de altitude – decidirão o futuro do clube na competição continental.

Basicamente, é o resultado dessas duas partidas que dará sentido (ou não) ao resto do ano. Objetivamente, hoje é o jogo mais importante dos anos. Passado e atual.

A essa altura (com trocadilho), o recado é óbvio: que se dane o disse-me-disse; que se dane a grana em atraso; que se dane a ridícula queda de braço entre o profexô, o dentuço e seu irmão mercenário; que se dane a falta ou a chegada de reforços; que se dane todo o resto que não seja a postura de homens que os jogadores devem ter hoje.

Apesar do morro, o adversário é galinha morta. Então, basta entrar em campo para honrar o manto que o resto vem naturalmente. Dadas as circunstâncias, um empate ou até uma derrota simples não seriam resultados ruins. Desde que o Flamengo seja Flamengo.

P.S.: Luxemburgo já deu entrevista falando em cautela, se apoiando na desculpa da altitude. Vai ser ridículo, mas preparem-se para ver um time com 58 volantes hoje.

Verbetes e expressões (25)

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Cagalhopança

Ato ou situação desenvolvida por uma ou mais pessoas que resultam de uma cagada mais refinada, ou seja, uma cagalhopança. Vem a ser algo meio que orquestrado, uma cagada sem tamanho e inenarrável.

Os exemplos se aplicam em inúmeras e inusitads situações, tal como uma cagada sem tamanho que não pode ser descrita em poucas palavras e que também é muito maior do que uma simples cagada, logo é uma cagalhopança.

Fonte: Dicionário inFormal

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Alguém tem alguma dúvida de que o que houve em São José dos Campos foi uma belíssima, caprichadíssima cagalhopança? Pois é, deu até a impressão de que foi construído um grande plano de ação, com tudo o que poderia ser feito de errado. E tudo cumprido à risca.

Sobre o tema, vale muito ouvir o comentário de Ricardo Boechat na Rádio Bandeirantes, é quase perfeito. O único grande defeito é que o jornalista não se aprofundou como deveria ao dizer que o governo federal não fez nada além de tentar se aproveitar politicamente do evento, atitude típica dos governos e aliados petistas.

Quanto ao futuro, me preocupo bastante com o que vai acontecer com as pessoas que foram tiradas de casa na marra. Vale lembrar que a ocupação ilegal do terreno começou há oito anos e poderia ter sido evitada naquela época. Agora, 1.500 famílias estão sem rumo.

Com um drama completamente diferente, mas com resultado parecido, amigos de Niterói lembram que até hoje há desalojados do morro do Bumba. A tragédia provocada pela chuva completa dois anos no dia 6 de abril.

E assim, abandonado como sempre, independente de discursos e bandeiras, segue o povo – principalmente a parcela que mais precisa de amparo.

E a moçada vai pedir bis

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Já vi por aí as análises mais complexas, além dos aplausos de praxe, além da simples publicação dos resultados sem qualquer análise (também habitual). Mas, afinal de contas, o que é tão difícil entender sobre o nível de aprovação do primeiro ano de mandato de Dilma?

É fato que os 59% que a moça recebeu não são de se esquecer. Mas será que é tão surpreendente assim?

É preciso lembrar que Lula deixou o governo com aprovação superior a 80% e que Dilma foi vendida e continua se portando como a continuação do sujeito. Afinal, ele segue dando conselhos, indicando pessoas etc etc etc.

Também estamos cansados de saber que a comunicação do governo é muito melhor do que os feitos do próprio. e não podemos nos esquecer que o número de pessoas beneficiadas pelos programas sociais aumenta a cada dia.

De quebra, muitas promessas de trocentos mil isso e aquilo e centenas de lançamentos de grandes projetos, sempre em benefício do povo, da massa, o que não deveria ser ruim. O problema é a real capacidade de entendimento dessa massa que, ignara, prefere acreditar que Dilma é linha dura, honesta e competente porque demitiu seis ministros acusados de corrupção a lembrar que quem colocou/aceitou os sujeitos foi ela mesma e que, além dos donos das cadeiras, a estrutura não mudou nadica de nada.

E aí fica fácil entender que a aprovação recorde do primeiro ano do mandato de Dilma Roussef não tem nada a ver com a qualidade de seu governo. E lembrei de Gilberto Gil.

“Chacrinha continua
Balançando a pança
E buzinando a moça
E comandando a massa”

Meras coincidências

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Todo mundo já se deu conta que estamos em ano eleitoral? Já caiu a ficha que nas eleições municipais deste ano será testada – principalmente nas capitais – boa parte das estratégias e discursos que estarão presentes nas próximas eleições estaduais e presidencial de 2014?

Pois levando tudo isso em conta, não chega a ser curioso que a minissérie exibida pela Globo desde terça-feira, O Brado Retumbante, esteja alfinetando muitas e muitas práticas instauradas e/ou exacerbadas pelo lulo-petismo ao longo dos últimos nove anos? Quem ainda não viu, terá mais uma semana para assistir e reconhecer todas as falcatruas habituais.

Só como exemplo, a farra dos livros didáticos e um tal ‘preconceito lingüístico” que ganhou destaque no primeiro semestre do ano passado (clique aqui para ver alguns posts sobre o tema).

E se alguém aí está chegando de Marte ou acha que estou delirando aqui, lembro que Fernando Haddad, ex-ministro da educação até outro dia, saiu do cargo para ser o candidato a prefeito de São Paulo numa nítida e mais que sabida imposição de Lula ao PT paulista. E a gente bem sabe o que o sujeito (não) fez pela educação do Brasil, né não…?

Mas é bom lembrar que a mais que conhecida expressão ‘uma no cravo, outra na ferradura’ também se faz presente. Ou será que também é mera coincidência o fato do ator que vive o presidente ser tão mulherengo e parecido com o Aécio?

Como se fora brincadeira de roda

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Em janeiro de 1982 eu tinha pouco mais de oito anos. Como as crianças daquela época, é provável que ainda brincasse de roda. Também soltava pipa, jogava bola e bolinha de gude. E há 30 anos, estávamos na estrada – toda a família – voltando das férias na roça, casa dos meus avós maternos na zona da mata de Minas.

Lá, como no Rio e em todo o Brasil, ouvia-se com gosto pelos rádios, TVs e nas vitrolas, os discos de Elis. Cada um melhor que o outro.

Àquela altura, já havíamos acabado de descer a serra de Teresópolis, o rádio do fusca já pegava alguma coisa, entre chiados e suas ondas curtas. E a notícia chegou. Ficou aquele ar de espanto em todo mundo, enquanto meu pai dirigia e pedia silêncio, minha mãe tentava sintonizar uma rádio mais firme pra confirmar o que veio entre grunhidos.

Ao mesmo tempo, começamos a ver vários e vários carros encostando no acostamento, as pessoas paradas com caras de bobos, alguns chorando e todos querendo acreditar que aquilo era um trote. Há 30 anos, Elis morreu.

É claro que, pela idade, só fui conhecer e entender quem e o que era Elis muito tempo depois. E assim, não foi tão difícil perceber a razão da comoção que tomou conta do país quando a moça foi embora. Mas, desde sempre, sou apaixonado por essa canção, composta por Gonzaguinha e gravada em 1980, no álbum duplo Saudade do Brasil.

Abaixo, trechos de uma entrevista de Elis à TV Gaúcha, quando foi a Porto Alegre com o show Trem Azul, no segundo semestre de 1981. Era tão boa falando quanto cantando.

P.S.: será que é por acaso que, até hoje, Elis é o parâmetro de qualidade a que todas as cantoras brasileiras acabam comparadas, cedo ou tarde e indepente de estilo?

Ora, que melhora

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E parece que Dilma, finalmente, começou a tão esperada reforma ministerial. E digo parece porque, inédito, ela conseguiu perder seis ministros no primeiro ano de governo, todos sob denúncia de corrupção (fora Jobim, que saiu porque falava demais). Fora os casos absurdos de Pimentel e Negromonte, que não caíram apesar de tudo. Assim, não teria sobrado muita coisa pra reformar, pelo menos por agora.

Mas vejam que maravilha de negócio fez a nossa presidente. Haddad, o Mister Enem, saiu porque vai ser candidato à prefeitura de São Paulo (boa sorte aos amigos de lá). Ou seja, não foi defenestrado por sua incompetência mais que comprovada, como deveria. O lado bom é que nos livramos do moço.

Para seu lugar, foi deslocado Aloizio Mercadante – sujeito de competência reconhecida, de caráter firme, palavra irrevogável – que ocupava a cadeira de Ciência e Tecnologia. Sabem o que é legal nisso? É que o sujeito ganhou um ministério novo no mesmo dia em que o Brasil é apontado como o responsável pelo atraso na construção de um megatelescópio, em parceria com outros 14 países, no território chileno. Por aqui, o projeto estava sob responsabilidade de quem? Pois é…

Não é excelente saber que o governo federal fez questão de mandar a meritocracia (com trocadilho, por favor) pro espaço?

Sobre Marco Antônio Raupp, substituto de Mercadante, não tenho nada a dizer, não o conheço. Por enquanto, temos mesmo é que orar muito. Quem sabe, assim, as coisas acabem melhorando…

Muito legal

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Foi no Bem Legaus! – já incluído na lista de Visita obrigatória – que encontrei o vídeo e a foto abaixo.

O primeiro traz Scott Weaver apresentando sua escultura Rolling through the Bay, feita com mais de 100 mil palitos de dente. Uma espécie de viagem por pontos turísticos de São Francisco. Estranho mas sensacional. E apesar do número de palitos e do tempo gasto em sua construção (35 anos), a obra não é a maior peça do tipo. Como se sabe, há malucos para tudo. O resto, o vídeo explica.

A foto é mais uma das trocentas mil referências à foto de capa do álbum Abbey Road, dos Beatles. Usando uma técnica conhecida como projeção anamórfica e cada vez mais usadas em ruas de todo o mundo, o artista (que não se sabe quem é) colocou a turma do Charlie Brown para passear na faixa de pedestres. Eu, que sou fã das duas turmas, já transformei a imagem em papel de parede.

Mudança é uma merda

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Mal recoloquei o blog pra funcionar e acabei saindo do ar de novo. Tudo por causa de uma mudança. Mais uma mudança. Ok, admito que o título do post é bastante espalhafatoso, provavelmente exagerado. E o que eu quis dizer é que fazer mudança é uma merda.

A dessa semana foi a terceira dos últimos quatro anos (espero e acredito que a última por um bom tempo). A primeira da série, apesar de já estar em planejamento, acabou acontecendo às pressas, depois de um incêndio no apartamento de cima e do rescaldo que inundou a casa. Mas sem maiores problemas.

A segunda foi muito mais preparada e planejada e, apesar disso, acabou dando mais trabalho que a anterior. Porque já tínhamos muito mais coisas para carregar, porque nós embalamos tudo e carregamos boa parte das coisas, porque no dia da mudança arrebentei as costas logo pela manhã e quase todo o trabalho caiu no colo da moça da minha vida, porque a Kombi que contratamos escangalhou antes de chegar láem casa… Enfim, um pequeno desespero.

Então, dessa vez, resolvemos nos precaver e nos estruturamos para contratar uma empresa de mudanças daquelas que prometem fazer tudo para que você não tenha trabalho. Mas é claro que se tudo acontecesse dentro dos conformes, se tudo fosse fácil, se tudo desse certo, eu não poderia dizer que “esta é a minha vida”.

Como combinado, o trabalho dos caras começou no sábado, quando dois sujeitos passaram boa parte do dia empacotando e desmontando o apartamento. Apesar da boa vontade dos caras, um olhar um pouco mais atento desconfiaria dos problemas que estavam por vir.

Antes de fechar a data da mudança e que empresa a faria, para tentar adiantar e até baratear o serviço, enchemos pouco mais de 20 caixas e malas. Mesmo assim, as embalagens que os caras levaram acabaram. Eles deveriam ter saído da minha casa deixando apenas o estritamente necessário para sobrevivermos até o dia de ir embora, segunda-feira. Era só olhar em volta, não foi isso o que aconteceu.

Chega o dia da mudança e os caras começam a trabalhar às 8h30 da manhã. Eram seis na equipe. Quer dizer, cinco e meio. Havia um senhorzinho no time, com muito boa vontade, muito disposto, mas minha impressão é que regulava em idade com Oscar Niemeyer. O que significava dizer que levantar uma caixa das mais pesadas era um sufoco daqueles.

Enquanto uma parte foi terminar de empacotar e desmontar o que faltava, outra parte começaria a descer o que já estava pronto. Mas o elevador enguiçou… A assistência técnica foi chamada e todos foram tratar de preparar a carga que faltava. Quando o elevador voltou a funcionar, cerca de meia hora de atraso. Nada grave.

O caminhão encostou às 11h e a impressão é que o carregamento seria rápido, parecia faltar pouca coisa pra descer e desmontar e… A mudança saiu da casa velha às 16h e chegou na nova às 17. Até começar a subir e montar os móveis e tudo o mais, 18h30 e começou a escurecer. E parte do serviço combinado não foi feito, como instalar luminárias e aparelhos de ar condicionado. E com poucos pontos de luz funcionando e o tempo passando… Como organizar a casa no escuro? Como lidar com uma criança de dois anos e curiosa, duas cachorras muito curiosas e três buracos na parede do quinto andar? Como lidar com uma espécie de muralha da china de caixas ocupando sua sala quase até o teto, no escuro?

O pau comeu na casa de Noca…

Depois de alguns telefonemas para o sujeito que nos vendeu o serviço, com muitos esporros (perdi a linha e a razão) e negociação (a moça da minha vida foi precisa), os caras foram embora às 21h30 sem receber. No dia seguinte, o rapaz apareceu lá em casa, acompanhado de um eletricista (ou quase isso). Instalou luminárias, fogão, ar-condicionado e mais alguma coisinha.

Mesmo assim, o saldo foi a sala abarrotada de caixas – só encontrei minhas roupas, que não estavam em cabideiros como combinado, pelas 10 ou 11 da manhã – e alguns móveis ainda desmontados por falta de espaço.

Enfim, mudanças não são simples, dão muito trabalho mesmo. Mas quando resolvemos contratar uma empresa especializada, o objetivo era se aporrinhar o mínimo possível. E isso não aconteceu. Não sei como seria com a Granero, Gato Preto, Lusitana ou qualquer outra. No nosso caso, tivemos um serviço mal vendido, mal planejado e mal executado. E, depois de tudo e apesar do desconto de cerca de 20%, caro. Muito caro.

Então, se vocês procurarem uma empresa de mudanças e se depararem com a Marvin Mudanças, fujam. Como o diabo da cruz.

Dia de Reis

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A gravação de Tim Maia para A festa de Santo Reis é mais do que clássica. Mas você já tinha visto ou ouvido o autor da música, Márcio Leonardo? Eu não, até encontrar o filme abaixo. Puro acaso.

Vale pela curiosidade, vale para lembrar a data em que – segundo a tradição – os magos (sábio, para a época) levaram seus presentes – ouro, incenso e mirra – ao Jesus recém nascido.

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