24
Nov
09

Mahmoud Ahmadinejad (3)

Quem diria que eu, um dia, iria reproduzir aqui algo publicado pela Veja? Pois é, às vezes a gente queima a língua.

Enfim, para tentar encerrar o assunto.

O discurso aparentemente mais ameno do bandido é ainda mais perigoso

O Ahmadinejad mais perigoso, por incrível que pareça, nem é aquele que nega com clareza o Holocausto — até porque ele percebeu que isso lhe gera alguns contratempos. O Ahmadinejad mais perigoso, por incrível que pareça, nem é aquele que financia o terrorismo. O Ahmadinejad mais perigoso, por incrível que pareça, nem é aquele que promete “varrer Israel do mapa” — ou o que trata divergências a bala, o que mata homossexuais, o que persegue mulheres, o que conduz um programa nuclear secreto… O Ahmadinejad mais perigoso é o que fala (…) mais manso. Porque esse discurso mais suave esconde o negador do holocausto, o anti-semita delirante, o aniquilador potencial de um país, o cão raivoso que criminaliza a diferença.
O Ahmadinejad mais perigoso é o que disfarça sua delinqüência belicista com palavras de aparente racionalidade, prontas a convencer ignorantes, a ganhar a adesão de desinformados, a receber o apoio daqueles que não percebem suas malévolas intenções sub-reptícias.
Nem o cumprimento de sua parte na conversa com o Brasil — a defesa de que o país tenha assento permanente no Conselho de Segurança da ONU — escapa a seu pensamento insidioso, às idéias travessas e perigosas que povoam aquele cérebro tumultuado. Ou como ler a afirmação de que as guerras nos últimos 60 anos tiveram a “intervenção” dos países que integram o Conselho de Segurança? Peguemos a maior de todas elas, a Segunda, e consideremos os cinco países que integram o CS: EUA, Rússia, Reino Unido, França e China. Pode-se condenar a pusilanimidade de governos em cada um desses países em face daquele conflito, mas foram eles os promotores do desastre? Sem o que ele chama de “intervenção”, qual teria sido o nosso destino?
Observem que ele continua a negar o direito de Israel existir, fazendo tabula rasa da história do Oriente Médio, como se a fundação de Israel, em 1948, tivesse obstado, em sua própria natureza, a criação do estado palestino. Os árabes que se mobilizaram em face da nova situação o fizeram para construir um novo estado ou para impedir o que estava sendo criado?
Ahmadinejad mente de maneira miserável quando afirma que dezenas de soluções foram apresentadas, todas rejeitadas. Está acusando Israel de intransigência. A verdade está justamente no contrário. Basta lembrar que Ehud Barack, então primeiro-ministro de Israel, ofereceu, em julho de 2000, quase tudo o que Yasser Arafat reivindicava: um estado palestino em Gaza e na quase totalidade da Cisjordânia, com a capital em Jerusalém Oriental. Arafat deu sinais de que aceitaria o acordo, mas decidiu romper as conversações unilateralmente. Por quê? Ora, o que teria sido dele — e daqueles que o sucederam — sem uma “causa” não é mesmo? Causa que, diga-se, fez de Arafat um dos homens mais ricos do planeta.
A delinqüência continua quando ele diz que os palestinos não podem pagar pelos “60 milhões de mortos da Segunda Guerra… Por vias tortas, nega o Holocausto de novo. Sem dúvida, os seis milhões de mortos que ele não reconhece integram os 60 milhões. Ao opor uma grandeza à outra, tenta retirar a especificidade da brutalidade nazista. Os que pereceram nos campos de concentração ou foram eliminados nas ruas não estavam em guerra com ninguém, não integravam um exército regular, nem mesmo estavam — porque, na maioria das vezes, não houve tempo para isso — numa força de resistência. Homens, mulheres, velhos, crianças… Morreram porque eram judeus. Só por isso. E outros porque eram ciganos, porque eram gays, porque eram considerados incapazes segundo os critérios de competência do nazismo.
O banditismo moral de Ahmadinjead é tal, que ele fala em 60 milhões de mortos para poder, assim, negar 6 milhões de mortos. Por que esse discurso é mais perigoso? Porque ele dificulta a reação.
Um dia, um vagabundo desta espécie irá para a lata de lixo da história, em companhia daqueles que o promoveram. “Lata de lixo da história” já é clichê como destino final das excrescências humanas. Mas essa gente não merece nada melhor do que isso.
Reinaldo Azevedo (veja.com)
24
Nov
09

Mahmoud Ahmadinejad (2)

Eis que não só aceitei a provocação que recebi, como ainda gastei boa parte do meu dia lendo sobre a tal visita inconveniente que o Brasil está recebendo. E vai retribuir!!! Boa leitura.

Visita indesejável

É DESCONFORTÁVEL recebermos no Brasil o chefe de um regime ditatorial e repressivo. Afinal, temos um passado recente de luta contra a ditadura e firmamos na Constituição de 1988 os ideais de democracia e direitos humanos. Uma coisa são relações diplomáticas com ditaduras, outra é hospedar em casa os seus chefes.
O presidente Ahmadinejad, do Irã, acaba de ser reconduzido ao poder por eleições notoriamente fraudulentas. A fraude foi tão ostensiva que dura até hoje no país a onda de revolta desencadeada. Passados vários meses, os participantes de protestos pacíficos são brutalizados por bandos fascistas que não hesitam em assassinar manifestantes indefesos, como a jovem estudante que se tornou símbolo mundial da resistência iraniana. Presos, torturados, sexualmente violentados nas prisões, os opositores são condenados, alguns à morte, em julgamentos monstros que lembram os processos estalinistas de Moscou.
Como reagiríamos se apenas um décimo disso estivesse ocorrendo no Paraguai ou, digamos, em Honduras, onde nos mostramos tão indignados ao condenar a destituição de um presidente? Enquanto em Tegucigalpa nos negamos a aceitar o mínimo contacto com o governo de fato, tem sentido receber de braços abertos o homem cujo ministro da Defesa é procurado pela Interpol devido ao atentado ao centro comunitário judaico em Buenos Aires, que causou em 1994 a morte de 85 pessoas?
A acusação nesse caso não provém dos americanos ou israelenses. Foi por iniciativa do governo argentino que o nome foi incluído na lista dos terroristas buscados pela Justiça. Se Brasília tem dúvidas, por que não pergunta à nossa amiga, a presidente Cristina Kirchner?
Democracia e direitos humanos são indivisíveis e devem ser defendidos em qualquer parte do mundo. É incoerente proceder como se esses valores perdessem importância na razão direta do afastamento geográfico. Tampouco é admissível honrar os que deram a vida para combater a ditadura no Brasil, na Argentina, no Chile e confratenizar-se com os que torturam e condenam à morte os opositores no Irã. Com que autoridade festejaremos em março de 2010 os 25 anos do fim da ditadura e do início da Nova República?
O extremismo e o gosto de provocação em Ahmadinejad o converteram no mais tristemente célebre negador do Holocausto, o diabólico extermínio de milhões de seres humanos, crianças, mulheres, velhos, apenas por serem judeus. Outros milhares foram massacrados por serem ciganos, homossexuais e pessoas com deficiência. O Brasil se orgulha de ter recebido muitos dos sobreviventes desse crime abominável, que não pode ser esquecido nem perdoado, quanto menos negado. O mesmo país que tentou oferecer um pouco de segurança e consolo a vítimas como Stefan Zweig e Anatol Rosenfeld agora estende honras a alguém que usa seu cargo para banalizar o mal absoluto?
As contradições não param por aí. O Brasil aceitou o Tratado de Não Proliferação Nuclear e, juntamente com a Argentina, firmou com a Agência Internacional de Energia Atômica um acordo de salvaguardas que abre nossas instalações nucleares ao escrutínio da ONU. Consolidou com isso suas credenciais de aspirante responsável ao Conselho de Segurança e expoente no mundo de uma cultura de paz ininterrupta há quase 140 anos com todos os vizinhos. Por que depreciar esse patrimônio para abraçar o chefe de um governo contra o qual o Conselho de Segurança cansou de aprovar resoluções não acatadas, exortando-o a deter suas atividades de proliferação?
Enfim, trata-se da indesejável visita de um símbolo da negação de tudo o que explica a projeção do Brasil no mundo. Essa projeção provém não das ameaças de bombas ou da coação econômica, que não praticamos, mas do exemplo de pacifismo e moderação, dos valores de democracia, direitos humanos e tolerância encarnados em nossa Constituição como a mais autêntica expressão da maneira de ser do povo brasileiro.
José Serra (Folha de São Paulo, 23 de novembro de 2009)
23
Nov
09

Mahmoud Ahmadinejad

O Bruno, publicitário que trabalha comigo, resolveu me provocar e perguntou se eu não faria nenhum comentário sobre a visita do presidente iraniano ao Brasil. Respondi que não estava muito aí para o assunto, que não tratava de coisas surreais por aqui.

Mas, como de vez em quando lembro da existência do apedeuta e de seu governo surreal – que entre outras coisas criou um programa de esmolas oficiais –, acabei caindo na armadilha. Afinal, o surrealismo dentro do surrealismo nada mais é do que o realismo. Ou não, sei lá.

Vale lembrar que essa visita constitui o terceiro encontro entre os dois chefes de governo desde 2008 (o primeiro foi no Equador e o segundo nos EUA). E haverá, pelo menos, mais um. Isso porque, além de ir contra toda e qualquer ação de bom senso ao receber Mahmoud Ahmadinejad, nosso líder retribuirá a visita em 2010.

Nada estranho, na verdade, para alguém que apóia Chávez, Correa, Zelaya, Kadhafi e Mugabe, entre outros déspotas disfarçados (ou não) de democratas.

E aí, cabe a pergunta: temos ou não temos um governo (e um política externa) surreal? Depois tem gente que vai reclamar quando começarmos a torcer por um atentado terrorista.

23
Nov
09

A vida é bem pior aqui

Esse é um post de agradecimento ao Metrô Rio, ao governo do estado e à prefeitura do Rio.

Muito obrigado por começar a semana em um trem lotado, sem ar condicionado. Muito obrigado por chegar ao trabalho suado, fedorento, de mau humor, desmotivado e procurando uma maneira de abandonar a cidade.

Muito obrigado ao Metro Rio por cuidar tão bem de seus clientes e, no final, agradecer pela preferência. Muito obrigado ao governo do estado por esta concessão pública ‘funcionar’ sem qualquer tipo de fiscalização (pois se fosse feita com seriedade, o contrato de concessão já teria sido cancelado há muito tempo), por pensar tanto no bem estar da população.

Muito obrigado à prefeitura e à sua companhia de (des)engenharia de tráfego, que planeja tão bem o trânsito da cidade. Muito obrigado por me dar a alternativa de ficar 50 minutos no trânsito, em um ônibus lotado, nos obrigando a ‘optar’ por esse maldito metrô.

23
Nov
09

Não chegou

Fla não aguentou a pressão e entrou em campo nervoso e sem arrumação

Para mim, que sou meio profeta do apocalipse, o Flamengo perdeu o campeonato ontem. Sinceramente, apesar de passar as próximas duas semanas torcendo como louco, fico pensando em todas as chances desperdiçadas e vexames vividos nos últimos anos. E não consigo confiar. Além do quê, ainda há que se torcer muito para mais um tropeço do São Paulo, contra Goiás e Sport. Duro de acreditar…

Resumindo o que aconteceu ontem, o time amarelou. Não de ter medo, mas de não aguentar a pressão. O time entrou nervoso, sem saber o que fazer com a bola, sem poder de decisão. Faltou coragem para ser campeão.

Pra finalizar, o Angelim ainda saiu do campo falando bobagem, sobre uma tal mala branca de no mínimo 300 mil. Sinceramente, contra aquele time mequetrefe do cerrado, a mala podia ser trocentos milhões. Se quer ser campeão, tinha obrigação de ganhar e pronto.

Vamos ver o que acontece agora…




Twitter: pensando rápido

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