Olímpico
olímpico
[Do lat. olympicu.]
Adjetivo.
1. Pertencente ou relativo ao Olimpo.
2. Pertencente ou relativo aos deuses do Olimpo. [Sin., nessas acepç.: olimpiano.]
3. Olímpio (1).
4. Referente às olimpíadas.
5. Fig. Grandioso, majestoso, divino, nobre, sublime. ~ V. ginástica —a, gol —, jogos —s e piscina —a.
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Entre os significados e explicações dadas pelo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, acima, guardem especialmente o número cinco: grandioso, majestoso, divino, nobre, sublime.
Isso é importante porque vou falar sobre o COB, o Comitê Olímpico Brasileiro, entidade que deveria – entre outras muitas coisas – dar exemplos baseados no espírito olímpico. Mas não é o que acontece. Duvidam?
Você sabe o que é Olimpismo?
O documento que orienta tudo o que diz respeito à organização do COI, dos comitês olímpicos nacionais, organização dos jogos, além de posturas e atitudes que devem nortear tudo isso é a Carta Olímpica (original, em inglês). Dela constam os seis princípios fundamentais do Olimpismo, dos quais eu destaco os dois primeiros:
1. O Olimpismo é uma filosofia de vida que exalta e combina, de uma forma equilibrada, um conjunto de qualidades do corpo, da vontade e do espírito. Aliando o desporto à cultura e à educação, o olimpismo visa criar um estilo de vida fundado sob a alegria do esforço, o valor educativo do bom exemplo e o respeito por princípios éticos universais.
2. O propósito do Olimpismo é o de colocar o desporto ao serviço do desenvolvimento harmonioso do homem, para promover uma sociedade pacífica e empenhada na preservação da dignidade humana.
Censura
A professora Kátia Rubio, que há 15 anos se dedica a projetos de educação ligados à questão olímpica, publicou (e enviou uma cópia para o COB) o livro Esporte, Educação e Valores Olímpicos, para ser usado como livro didático.
Pois o COB notificou a professora, em documento assinado pelo vice-presidente André Richer, de que o livro deveria ser recolhido, pois “o uso dos termos ‘olímpico’, ‘olímpica’, ‘olimpíada’, ‘Jogos Olímpicos’ e suas variações… são de uso privativo do Comitê Olímpico Brasileiro no território brasileiro.”
Como assim? O COB se apropriou de palavras da língua portuguesa? Pior, o COI e todas entidades nacionais se apropriaram de uma família de palavras em todas as línguas? Isso significa que posso ser processado por usar essas palavras aqui no blog, assim como o Globo ou a ESPN Brasil, cada vez que utilizarem essas palavras? Meu Deus, vão processar e mandar recolher nossos dicionários!!!!
Sediamos um Panamericano em 2007 e vamos receber os Jogos de 2016. Justamente no momento em que o comitê olímpico deveria estar fomentando estudos, pesquisas e quaisquer outras atividades que apontassem para o desenvolvimento do esporte e ao seu papel social, a entidade máxima do esporte brasileiro (presidida por um ex-atleta olímpico, é bom que se diga), manda recolher um livro que trata do tema. Não é fantástico? Não é uma atitude grandiosa, majestosa, divina, nobre, sublime? Enfim, qualquer semelhança ou inspiração em um regime ditatorial é mera coincidência.
Pois é, a professora Kátia Rubio é só uma das pessoas que estudam e escrevem sobre o tema no Brasil. No caso dela, há 15 anos e com 15 livros publicados, além de mais um que já está no prelo.
Há solução
Na verdade, o que está acontecendo é que o próprio Comitê Olímpico Brasileiro vai contra a Carta Olímpica e os princípios básicos do olimpismo. Nada mais sintomático da empáfia e soberba de seu presidente e, pelo jeito, de sua claque.
Mas essa atitude do COB não é exclusividade tupiniquim. Segue abaixo o texto (publicado no CEV) de Gustavo Pires, professor da Universidade Técnica de Lisboa, sobre o assunto. A diferença é que na terra de Cabral, a justiça resolveu. Como será que nosso poder judiciário se posicionará a respeito?
A família olímpica
Há pessoas que no âmbito do Movimento Olímpico se julgam no direito de decidir quem pode e quem não pode dedicar-se ao estudo e à investigação das questões do Olimpismo. Na sua profunda ignorância e pesporrência estão convencidos que são proprietários de algo que os transcende. Quer eles queiram quer não, o Olimpismo é propriedade da Humanidade e não de uma qualquer casta que numa atitude profundamente xenófoba se gosta de chamar a si própria de “família olímpica”.
Em Portugal, os dirigentes do Comité Olímpico de Portugal (COP) também se julgavam no direito de decidir quem podia ou não utilizar as palavras olímpico, Olimpismo ou, entre outras, Jogos Olímpicos, convencidos de que eram proprietários não só dos conceitos em si, como das próprias palavras que pertencem, como qualquer pessoa de bom senso sabe, à língua portuguesa e aos seus falantes.
Em conformidade, pretenderam acabar com uma organização de seu nome Fórum Olímpico de Portugal.
Para o efeito, contrataram um dos maiores escritórios de advogados do país mas o tiro saiu-lhes pela culatra.
Os Tribunais portugueses decidiram que a lei não lhes concedia o monopólio do uso das palavras pelo que o Fórum Olímpico de Portugal continua de boa saúde a produzir conhecimento na área do Olimpismo.
Entretanto, tomamos conhecimento que o Comité Olímpico Brasileiro (COB) quer obrigar uma investigadora da Universidade de São Paulo de seu nome Kátia Rúbio que investiga e publica há vários anos sobre a problemática do Olimpismo, a recolher o seu último livro intitulado “Esporte, Educação e Valores Olímpicos”! Tal como cá, os caras lá do Brasil também se julgam proprietários das palavras olímpico, olímpica, olimpíada, Jogos Olímpicos e suas variações…!!!
Há uns anos, tivemos a oportunidade de assistir no Rio de Janeiro a uma conferência sobre Olimpismo proferida precisamente pelo presidente do COB.
O que a generalidade das pessoas no fim da conferência comentou foi que o cara falou de dinheiro, de muito dinheiro, de marketing, de investimentos e de todos os termos possíveis e imaginários na área económica e financeira, contudo, ninguém o ouviu falar de Olimpismo, de valores do desporto, de educação ou de desenvolvimento humano.
O problema é que, como a generalidade dos dirigentes do Movimento Olímpico não fala sobre o Olimpismo e os seus valores, quer obrigar os outros a fazer o mesmo.
Não poderá Lula da Silva meter o sujeitinho na ordem.
Em Portugal foram os Tribunais através dos doutos acórdãos dos juízes que o fizeram.
O processo pode ser consultado em: www.forumolimpico.org.
Gustavo Pires